E você, RH, está desenvolvendo executores ou gestores de tarefas?
A IA como catalisadora de mudança
A inteligência artificial (IA) não é mais uma promessa — é uma realidade que já transforma a forma como trabalhamos. Contudo, ao contrário do temor inicial de que máquinas substituiriam humanos, o que vemos, em grande parte das funções, é uma redefinição de papéis. O verdadeiro risco não está na tecnologia, mas na resistência em adaptar-se a ela.
Um exemplo claro vem do RH: ferramentas de IA já fazem triagens de currículos em segundos, mas isso não eliminou os recrutadores. Em vez disso, liberou esses profissionais para estabelecer e supervisionar parâmetros de seleção e focar em estratégias de atração de talentos, employer branding e análise de fit cultural.
A mensagem é clara: quem apenas executa tarefas repetitivas está vulnerável; quem aprende a gerenciar a IA se torna indispensável.
Transição forçada? Por que resistir é um risco
Um relatório do Fórum Econômico Mundial, de 2020, estimou que, até o fim deste ano, 85 milhões de funções serão extintas, enquanto 97 milhões surgirão — todas exigindo habilidades como pensamento crítico e gestão de tecnologia.
E é exatamente o que estamos assistindo:
O contador, que antes apenas preenchia planilhas, agora usa IA para identificar tendências fiscais e sugerir estratégias de redução de custos.
O analista de marketing, que antes só compilava dados, hoje interpreta relatórios gerados por IA para propor campanhas hiperpersonalizadas.
O supervisor de fábrica, que monitorava manualmente a produção, agora otimiza cadeias de suprimentos usando algoritmos de roteamento.
O vendedor, que seguia scripts pré-definidos e registrava interações em planilhas, hoje analisa dados de CRM para antecipar necessidades dos clientes e fechar negócios.
Todos esses casos mostram a mesma mudança:
✅ Do operacional para o estratégico
✅ Da execução para a supervisão e curadoria
✅ Do trabalho repetitivo para a interpretação de dados e tomada de decisão
A mudança não é, portanto, opcional. Profissionais que insistirem em ser meros executores estão na mira da obsolescência, e empresas que não prepararem seus times para essa transição ficarão para trás.
Novos papéis, novas competências
Toda essa transformação se materializa em três novas competências essenciais:
- De Operadores a Supervisores de IA
Entender a lógica por trás dos algoritmos será tão importante quanto saber operar as ferramentas.
Um líder de produção, por exemplo, precisa validar se as recomendações de IA para eficiência energética fazem sentido no contexto real da fábrica.
- De Executores a Tomadores de Decisão
A IA entrega dados; humanos entregam estratégia.
Um gerente de logística que usa insights de rotas automatizadas para negociar prazos com clientes está agregando valor intangível à máquina.
- De Seguidores de Processos a Gestores do Conhecimento
A experiência humana é insubstituível para contextualizar soluções.
Um médico que cruza diagnósticos gerados por IA com o histórico do paciente exemplifica essa combinação crítica.
O RH como agente dessa transformação
Para liderar essa evolução, os profissionais de Recursos Humanos precisam:
Mapear gaps urgentes: identificar quais funções estão mais expostas à automação e criar planos de requalificação.
Redesenhar trilhas de carreira: promover quem domina processos e agrega habilidades como storytelling com dados ou gestão de equipes híbridas (humanas + digitais).
Priorizar soft skills na contratação: buscar resiliência, curiosidade, pensamento crítico e adaptabilidade — competências que a IA não replica.
E por onde começar?
Reúna seu time de RH, lideranças de diferentes áreas, tecnologia e negócios.
Faça uma auditoria das habilidades críticas mais demandadas para os próximos três anos e defina as ações de desenvolvimento.
Escolha uma área piloto para testar um programa de requalificação nos próximos três meses.
Crie programas de mentoria reversa (jovens ensinando tecnologia; veteranos compartilhando expertise).
Incentive a experimentação e promova iniciativas de desenvolvimento voltadas à IA.
O futuro do trabalho já chegou, e a janela para agir está aberta — mas não ficará assim para sempre.
Por isso, comece hoje mesmo, porque a pergunta não é se sua empresa fará essa transição, mas quando.
E o momento é agora.
Fonte: Mundo RH